Conecte-se conosco

Amazonas

Manaus marca 37,3ºC e atinge novo recorde de temperatura no ano, segundo Inmet

Publicado

em

Dia mais quente de 2026 foi registrado nesta segunda-feira (31); recorde anterior foi de 37,1ºC, no dia 25 de agosto. Especialista explica fatores que contribuem para o calor na capital amazonense.

Manaus atingiu um novo recorde de temperatura, com 37,3ºC nesta segunda-feira (31). Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A máxima foi alcançada cinco dias depois do último recorde quebrado, de 37,1ºC, no dia 25 de agosto. Todos os dias mais quentes do ano até o momento foram atingidos no mês de agosto. Confira:

  • 31 de agosto: 37,3 ºC
  • 25 de agosto: 37,1ºC
  • 26 de agosto: 36,9ºC
  • 11 de agosto: 36,3ºC
  • 10 de agosto: 36,2ºC

🌡️ El Niño, falta de árvores e urbanização: os fatores que “fervem” Manaus

O que é o El Niño e como ele pode afetar o seu dia a dia

Especialistas reforçam que as altas temperaturas registradas já eram esperadas para o período e podem ser intensificada por conta do El Niño.

🔎 El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta.

“O verão amazônico fornece a condição sazonal básica para o calor, enquanto o El Niño atua como um possível fator de intensificação”, explica a meteorologista Andrea Ramos.

Segundo dados do Inmet, uma combinação de fatores climáticos e de ocupação do solo também torna Manaus vulnerável ao acúmulo de calor.

A localização geográfica sob o clima equatorial já impõe, por natureza, taxas elevadas de umidade e alta incidência de radiação solar durante todo o ano. No entanto, é a transformação do espaço urbano que potencializa o problema.

  • Impermeabilização do solo: a pavimentação densa sobre antigas áreas verdes impede a infiltração da água da chuva. Sem água retida no solo para evaporar, a cidade perde o mecanismo natural de resfriamento da terra.
  • Retenção no asfalto e concreto: a predominância de materiais escuros na pavimentação e nas construções possui baixo índice de refletividade (albedo). Na prática, o asfalto e o concreto funcionam como ‘esponjas térmicas’ que absorvem a energia do Sol de dia e a liberam de noite.
  • Barreiras para a circulação do ar: o avanço acelerado e muitas vezes desordenado de construções e edifícios em diversos bairros cria bloqueios físicos. Essas barreiras impedem que as brisas úmidas sopradas pelos rios Negro e Amazonas circulem pela cidade.

De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, o nível baixo dos rios durante a seca típica do verão amazônico, que ocorre entre julho e novembro, não produz diretamente uma massa de ar quente sobre Manaus. O que favorece o calor é o mesmo ambiente atmosférico que contribui para a estiagem: menor frequência de chuva, menor nebulosidade e maior incidência de radiação solar.

“Quando o solo e a vegetação perdem umidade, a energia solar deixa de ser utilizada na evaporação da água e passa a ser convertida em calor sensível, aquecendo diretamente o ar próximo à superfície. O calor atual deve ser interpretado principalmente pelo padrão atmosférico e sazonal”, pontua Andrea Ramos.

Para a meteorologista, a falta de arborização urbana aliada aos materiais da construção civil transforma as cidades em ambientes hostis e perigosos durante eventos extremos de calor e a solução precisa partir do poder público.

“O pessoal não tem as cidades muito arborizadas e isso faz com que fiquem mais quentes. É urgente que o poder público comece a reverter isso porque nós vamos ter cada vez mais ondas de calor, e elas serão mais intensas”, alerta Luciana Gatti.

Foto: Arquivos/Rede Amazônica

Fonte: G1