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Brasil

Fato ou Fake: O que você precisa saber sobre fake news e eleições

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Com o início da campanha eleitoral nesta terça-feira (16), mais mensagens falsas deste tema circulam na internet.

Na eleição presidencial de 2018, por exemplo, o Fato ou Fake desmentiu 114 mensagens relacionadas ao pleito. Se considerarmos também as informações ditas pelos próprios candidatos, o número de fakes é ainda maior: 700.

A maioria delas colocava em dúvida a legitimidade do processo eleitoral ou disseminava dados mentirosos sobre os políticos.

Mas qual o impacto das fake news nas eleições? Como a Justiça Eleitoral lida com esse tema no Brasil?
Para responder a essas perguntas e entender o que tem sido feito por parte das plataformas digitais no combate à desinformação, o Fato ou Fake lança, no g1 e no YouTube, uma nova série de vídeos focada em eleições, redes sociais e urna eletrônica.

Na temporada anterior, publicada em março, especialistas explicaram: como os criadores de fake news tentam enganar as pessoas; se é crime ou não compartilhar mentiras; e por que as pessoas acreditam nelas.

Processo eleitoral e desinformação

Segundo o cientista político Vitor Marchetti, as fakes sobre política tentam atingir a legitimidade do sistema eleitoral.

“A fake tenta lidar com a ideia, a hipótese de que há interesses que manipulam os processos eleitorais a favor de algum candidato e em desfavor de outro”, explica Marchetti.
Vitor Marchetti, cientista político — Foto: Arquivo pessoal

Vitor Marchetti, cientista político — Foto: Arquivo pessoal

O professor também reforça uma dica-chave para não ser enganado por esse tipo de mensagem. “Um caminho seguro é sempre tentar identificar a fonte daquele conteúdo, a origem da notícia. Geralmente, a imprensa já apurou e tem os mecanismos de checagem. Então, […] tende a ser uma notícia mais confiável”.

Sabrina Almeida, pesquisadora e cientista política — Foto: Reprodução/g1

Sabrina Almeida, pesquisadora e cientista política — Foto: Reprodução/g1

“Muito do que a gente pesquisa é que parte dessas mensagens [falsas] são difundidas pelas [próprias] autoridades políticas. E, ao mesmo tempo, isso é utilizado como uma estratégia de manter a sua base engajada, e de muitas vezes deslegitimar o processo democrático”, diz a pesquisadora.

Crime eleitoral e perda de mandato

O candidato e o partido político têm a obrigação de confirmar que as informações usadas durante a campanha são verdadeiras, mesmo aquelas produzidas por terceiros. Se usarem dados falsos, podem responder por crime eleitoral, com pena de prisão ou multa.

desinformação também pode ser entendida como abuso de poder midiático, que inclui a perda de mandato, como explica Victor Andrade, analista jurídico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“A desinformação já é tratada como uma discussão jurídica hoje, não afeta só a moral. Nós temos a resolução que trata da propaganda eleitoral e que já traz, inclusive, previsão de punição, deixando claro o caráter ilícito da desinformação em campanhas eleitorais“, diz.
O Código Penal brasileiro prevê sanções ligadas a boatos e mentiras: são os chamados crimes de honra (calúnia, difamação e injúria). — Foto: Getty Images

O Código Penal brasileiro prevê sanções ligadas a boatos e mentiras: são os chamados crimes de honra (calúnia, difamação e injúria). — Foto: Getty Images

Além dessas punições específicas, o Código Penal brasileiro também prevê sanções ligadas a boatos e mentiras: são os chamados crimes de honra (calúnia, difamação e injúria). Esse é o caso das fakes.

Comitê permanente do TSE

Além de responsabilização e punição, o TSE criou em 2021 um comitê permanente para combater as fakes, construir processos de inovação e criar um diálogo com parceiros. O grupo desenvolve ações focadas na educação digital do eleitor.

O que fazer para evitar cair em fake news?

Os especialistas dão uma série de dicas simples de como evitar cair nas armadilhas das mensagens falsas. Veja abaixo as principais:

  • Procurar informações e opiniões contrárias às nossas: “Você vai votar no candidato 1? Legal. Entra no candidato 2 e vê o que ele está falando também. Tenha contato com informações que são aparentemente incompatíveis, pois isso vai lhe dar uma opinião mais sensata e equilibrada”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, do Instituto de Psiquiatria da USP.
  • Reler as informações: “Sempre que eu leio alguma coisa que eu sinto que fiquei muito irritado, que me deixou indignado, eu falo: ‘Opa, estão atuando em cima de mim. Vamos devagar. Vamos ler isso de novo. Será que isso é verdade? Isso que está escrito é factível? Será que, de fato, esse candidato ou essa pessoa falaria isso?'”
  • Checar as informações em várias fontes: “Cruzar informações, buscar a origem e ter certeza”, diz Nabuco. “Faça uma leitura lateral. Abra uma aba do lado e pesquise. Será que algum jornal falou isso?”, diz Yurij Castelfranchi, professor da UFMG.
  • Jogar um trecho da mensagem em um buscador: “Veja se aquele trecho já aparece em outras fontes. Eu sei que a maioria das pessoas que acredita em fake news não confia nos jornalistas, mas a mídia é diversa. Se ninguém fala não é porque todo mundo esconde, é porque é mentira”, diz Castelfranchi.
  • Não compartilhar caso tenha dúvida: “Na dúvida, não passar adiante, pois você também faz parte desse processo”, diz Nabuco.
  • Manter-se informado: Nabuco afirma que estar por dentro dos acontecimentos também ajuda a desconfiar e a não cair em informações falsas.

Foto: Getty Images

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