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Economia

Indústria prevê recorde de R$ 227 bilhões na ZFM

Foto: José Paulo Lacerda/CNI/Agência Brasil

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Projeções feitas pela Fieam, Cieam e Suframa apontam para um faturamento recorde do Polo Industrial de Manaus este ano

Representantes da indústria amazonense avaliam um novo recorde para a Zona Franca de Manaus (ZFM) ao final de 2025. A projeção mais otimista é da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), a qual prevê que o faturamento pode ultrapassar os R$ 227 bilhões, um crescimento de 11% em relação a 2024, ano em que a ZFM bateu recorde e fechou em R$ 204,3 bilhões.

Segundo o presidente da entidade, Antonio Silva, o cenário macroeconômico de 2025 “foi marcado por desafios econômicos no Brasil, principalmente pela desaceleração do crescimento e por um ambiente de juros e inflação elevados. Mas, no Amazonas, o PIM [Polo Industrial de Manaus] teve desempenho satisfatório, superando obstáculos ao longo do período”.

Nos indicadores da Fieam, a maioria dos segmentos da indústria está em tendência de crescimento expressivo. Em destaque está o setor relojoeiro, que deve atingir R$ 1,8 bilhão e ter um crescimento de 28% em relação a 2024. Em setembro, a reportagem de A CRÍTICA já havia verificado que o subsetor faturou R$ 960,8 milhões entre janeiro e julho de 2025.

Na ocasião, o superintendente da ZFM, Bosco Saraiva, destacou que a indústria relojoeira é uma das mais antigas e tradicionais do PIM, se solidificando ao longo do tempo por produzir “artigos que competem em qualidade e preço com os concorrentes nacionais e internacionais. Acredito que o relógio de pulso é um item que continua a agradar ao público em geral, a despeito da tecnologia”.

Divulgação/Solidariedade

Duas rodas

 Outros segmentos que devem crescer, segundo os indicadores da Fieam, são os de Duas Rodas com previsão de faturamento de R$ 45,3 bilhões e crescimento de 24,72%; o Mecânico, com faturamento de R$ 20,8 bilhões e aumento de 20,87% em relação a 2024; o Metalúrgico com mais de R$ 18 bilhões e crescimento de 15,36%; e o Químico com faturamento de R$ 22,4 bilhões e aumento de 12%.

 Os subsetores Eletroeletrônico e Informática tiveram estimativa de crescimento mais modesta, de 3,07% e 0,54%, respectivamente, mas o setor de Informática é o maior em faturamento (R$ 47,500 bilhões), seguido pelo Eletroeletrônico, o terceiro (R$ 38,25 bilhões).

No boletim da Fieam divulgado à imprensa, Antônio Silva destaca a visão otimista da indústria para 2026 e demonstrando confiança na determinação e criatividade do empresariado.

“Apesar das rápidas mudanças tecnológicas e econômicas e da concorrência global, o modelo ZFM e seu polo industrial permanecem competitivos, embora haja necessidade de mais investimentos públicos e privados em infraestrutura de transporte e logística”, disse.

Dentre os desafios para o próximo ano, o presidente da Fieam destaca os embates com opositores do modelo Zona Franca e aponta como prioridades a recuperação da BR-319 e os investimentos em infraestrutura para continuidade do progresso do Amazonas.

Mais modesto

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) apresentou uma projeção mais modesta de R$ 216 bilhões em 2025. Apesar de menor que o indicador da Fieam, ainda quebra o recorde do faturamento de 2024. Os números foram apresentados em encontro com a imprensa no dia 12 de dezembro.

Na ocasião, o presidente do Conselho Superior, Luiz Augusto Barreto Rocha, destacou que os números reforçam “aquilo que defendemos diariamente: quando há estabilidade, segurança jurídica e compromisso institucional, a indústria responde com desempenho robusto. Nosso papel é garantir que esse ambiente continue sólido para que 2026 avance ainda mais”.

Um dos destaques do Cieam para os resultados é o aumento da implementação de projetos empresariais por meio do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), que fechou o ano com 320 projetos e R$ 7,89 bilhões em novos investimentos.

Reportagem de A CRÍTICA, de 13 de dezembro, mostrou que os investimentos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS) para a Zona Franca de Manaus em 2025 totalizou R$ 11,9 bilhões, número 4% maior em relação ao do ano passado.

Economista Denise Kassama

“A Zona Franca de Manaus não deixa de ser um reflexo da economia brasileira. Então, se ela vai bem, é porque a economia vai bem. Nós somos produtores, principalmente, de bens de consumo final.  Quando um brasileiro compra uma TV nova, uma bicicleta, um celular, um notebook, quando ele não vive só para pagar comida e contas, então a corda já não está mais no pescoço, e faz todo o sentido. Se a gente cruzar com outros indicadores, como o nível de desemprego que nunca esteve tão baixo desde 2012, é sinal de que as coisas estão melhorando. Tem mais brasileiros empregados, portanto estão tendo renda. E se tem renda, podem consumir. A gente está bastante otimista mesmo com os desafios da Reforma Tributária, lembrando que ela preserva os incentivos fiscais da ZFM”.

Tendências de altas para 2026

 No início do mês, Bosco Saraiva afirmou à reportagem que a Suframa prevê um faturamento de R$ 225 bilhões para 2025, bem próxima à projeção mais otimista divulgada pela Fieam. Questionado pela reportagem, o superintendente manteve a projeção.

“É uma postura prudente e conservadora de nossa parte, mas há uma possibilidade de ultrapassarmos este valor. Avalio o ano de 2025 como um momento histórico para a Zona Franca de Manaus, um período que pavimentou um caminho próspero para a economia do nosso Estado por várias razões, mas a principal delas foi a segurança jurídica proporcionada pela regulamentação da reforma tributária, que garantiu nossas vantagens competitivas dentro do novo sistema fiscal”, disse.

A tendência projetada pela Suframa é de que o crescimento visto em 2025 continue ao longo de 2026. Um dos principais segmentos que deve contribuir para isso é o de eletroeletrônicos, responsável por um quarto do faturamento total do polo.

Perosnagem:

Jorge Júnior – Presidente da Eletros

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento Júnior, informou que a entidade foi procurada por investidores asiáticos que viram segurança na ZFM a partir da reforma tributária, além da garantira constitucional do modelo até 2073.

“Todo o trabalho que foi construído na reforma tributária para Zona Franca de Manaus e para a região amazônica já está surtindo efeito com a procura de novos investidores. Para aqueles investimentos já realizados, a gente tem visto também uma aplicação com a vinda de novos produtos que devem ser fabricados pós-reforma tributária”, ressaltou.
 
 
Fonte: A Crítica 

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