Ciência e Tecnologia
Teste: Moto elétrica da Voltz quer ser a “funcionária do ano” dos entregadores
O motoboy para ao meu lado e, curioso, pergunta se a chamativa moto na qual estou encara dez horas de trabalho sem parar. Respondo que vou avaliar, mas acredito que sua autonomia não chegue a tanto. Estou falando da nova Voltz EVS, versão Work, que quer ser a “funcionária do ano” dos motoboys.
Criada para uso profissional — entenda-se entregas —, a motocicleta foi avaliada durante dois dias, por ruas e avenidas da Grande São Paulo. A Voltz Work vendida por R$ 20.990 tem três anos de garantia e vem com duas baterias. Feitas de lítio, dão energia ao motor em simultâneo. Cada bateria pesa 15 kg e fica no lugar onde seria o tanque.
Na teoria, a marca informa até 180 km de autonomia para a Work (ante 120 km da Voltz). Porém, na prática, no anda e para, essa mostrou-se uma média um tanto quanto otimista. Só se chega perto dos 180 km informados rodando no modo de condução mais “preso” (ECO), em velocidade de 35 km/h.
Em relação ao design e acabamento, a Voltz prima pelo visual agradável e por suspensões bem calibradas, com capacidade de carga total de 200 kg — 20 destes para levar bagagem no reforçado rack traseiro.
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Aceleração de zero a 60 km/h leva mais de 12 segundos e a velocidade máxima é de 85 km/h — Foto: Divulgação
No uso diário para entregas, fez falta um cavalete central (até então, não encontrado nem mesmo como acessório). No entanto, agradou o fato de a moto ter marcha a ré — que só atua com o botão “R” pressionado.
A versão Work traz chave presencial com alarme e painel completo, com barras que indicam a carga das baterias, relógio e hodômetro. Contudo, no lugar das “barrinhas”, a carga das baterias poderia ser informada em porcentagem.
Para realizar o carregamento doméstico, o método é bastante prático: basta conectar o transformador que acompanha a moto a qualquer tomada comum, bivolt.
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Voltz EVS abriu pré-venda para vendedores do iFood com preço de R$ 9.990 — Foto: Divulgação
O que complica um pouco a vida de quem está habituado a trafegar nos corredores é o fato de o uso do freio “apagar” o motor ao menor toque nos manetes. Ou seja, se a ideia for frear a traseira para dar “leme” e acelerar um pouco para passar entre os veículos, a moto não responde.
Já em curvas, não é possível frear e acelerar ao mesmo tempo, algo atenuado pelo fato de a moto não ter freio motor algum. Isso acaba por deixá-la “solta”, o que pode causar perigosos imprevistos.
Com as baterias totalmente carregadas, a Work segue bem até os 70 km/h, e atinge 85 km/h limitados. Já ao levar mais peso, sente-se perda de aceleração em subidas íngremes. Quando a carga das baterias chega perto dos 50%, o desempenho cai bastante.
Portanto, apesar de funcionar bem, com um sistema elétrico eficiente, a Work acaba tropeçando no maior paradigma de uma moto “eletricificada”: o pouco espaço para as baterias, que compromete a autonomia e, claro, o corre diário. É um bom primeiro passo, mas ainda há muito a evoluir para ser considerada a funcionária do ano.
– Dos 200 kg de capacidade de carga total, apenas 20 kg destinam-se à bagagem no rack traseiro
– Freios da Voltz EVS Work não têm sistema para reaproveitar energia das frenagens
– Por R$ 20.990, o proprietário leva duas baterias de 15 kg cada
EVS Voltz Work
| Ficha técnica |
| Preço: R$ 20.990 |
| Potência: 3.000 W |
| Autonomia: 180 km |
| Bateria: 72 Volts |
| Recarga: 5 horas |
| Freios: CBS |
| Rodas: 17” |
| Pneus: 110/70-17 |
*Autoesporte
