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Amazonas

Caprichoso defenderá a voz dos amazônidas contra o atraso

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PARINTINS – O Boi Bumbá Caprichoso apresentou o seu projeto de arena 2023, na noite desta quinta-feira (29), durante entrevista coletiva à imprensa, que aconteceu na escolinha de artes do Touro Negro, em Parintins. “O Brado do Povo Guerreiro” será o tema defendido pelo bumbá na arena neste ano.

O presidente do boi, Jender Lobato, o presidente do conselho de arte, Ericky Nakanome, e a liderança indígena Alessandra Munduruku, que já foi premiada pela ONU, marcaram presença na coletiva que revelou e esmiuçou os detalhes sobre as apresentações das três noites do festival.

Alessandra Munduruku  falou em defesa dos povos indígenas durante esta noite.

A líder indígena Alessandra Munduruku (Márcio Silva/A Crítica)

A líder indígena Alessandra Munduruku (Márcio Silva/A Crítica)

“Eu quero agradecer de estar numa mesa e tá aqui numa luta de vozes, de gritos de socorro, de todos os povos. Um grito de dizer que nós não vamos nos calar, um grito de dizer que jamais nós vamos abaixar a cabeça para os não indígenas, que uma mineração não vai entrar dentro do nosso território pra deixar a nossa água suja, pra tirar recursos naturais e deixar nós cada vez mais pobres”, disse.

Para ficar na história

Jender Lobato iniciou sua fala agradecendo a presença de todos os diretores e conselheiros de artes e fez uma emocionante homenagem aos itens presentes. Ele segue confiante no bicampeonato.

“Nós iremos fazer o boi mais bonito da história do festival de Parintins e todos vocês que puderem acompanhar ou que estiverem dentro do bumbódromo ou acompanhando o festival pela TV A Crítica vão poder ver o maior espetáculo que um boi bumbá já fez, que ficará marcado na nossa memória e na nossa história para todo o sempre. O Caprichoso se preparou não para fazer um boi campeão, nós fizemos ano passado um boi campeão, a nossa preparação esse ano é para fazer um boi bicampeão”, afirmou, otimista.

Boi de arena

Reforçando a fala de Jender, o diretor artístico, Edivan Oliveira, enfatizou que esse será “o maior boi de todos os tempos”. Ele também aproveitou o momento para homenagear os artistas que fazem essa grande festa acontecer.

“O artista sozinho não tem a obrigação de carregar o boi na costa, o artista sozinho não tem a obrigação de carregar o descompromisso das gestões, o artista precisa ser reconhecido como o grande ator dessa festa, seja ele do mais alto escalão artístico ou mais baixo”.
 

Edivan e Jender (Márcio Silva/A Crítica)

Edivan e Jender (Márcio Silva/A Crítica)

Emocionado, o diretor artístico fez uma homenagem ao presidente, que deixa a agremiação neste ano. “O Jender me devolveu o orgulho de voltar a ser Caprichoso”, disse ele, que por quatro anos esteve no boi Garantido. “Foi o Jender que me abraçou, me trouxe de volta e disse: volte pro seu lugar”.

Semente de luta

O presidente do conselho de artes do boi Caprichoso, Ericky Nakanome, revelou que o boi Caprichoso irá iniciar as três noites de festival falando da ancestralidade.

O presidente do Conselho de Artes, Eric Nakanome (Márcio Silva)

O presidente do Conselho de Artes, Eric Nakanome (Márcio Silva)

“A nossa semente de luta! A gente entende que toda essa força bélica de trazer, de lutar, de fazer acontecer, como é esse festival, não nasceu do nada, ela nasce da nossa ancestralidade”, enfatizou.

Os membros da direção e conselho de artes, presentes na coletiva, vestiam camisas azuladas com dizeres pedindo respeito a tudo que envolve o Festival Cultural de Parintins, como cultura, dança, teatro, música, ancestralidade e a Amazônia.

Divisão em três subtemas

O espetáculo do boi Caprichoso “O Brado do Povo Guerreiro” está dividido em três subtemas para as noites de festival.

Sexta-feira

Na sexta-feira (30),  o boi da Francesa apresentará “Ancestralidade: A semente das nossas lutas”, na qual o boi mostrará as raízes ancestrais do povo azulado, as heranças passadas por gerações, o saber ancestral das gentes amazônicas.

“Ypuré, a saga da ganância” será a lenda indígena da noite,  seguido da figura típica regional “Cabocla Ribeirinha” e fecha a noite com o ritual “Yruré: A festa do guerreiro”. Além dos atos principais nessa noite terá o módulo alegórico “Tapiraiauara – A guardiã das Águas”.

Sábado

No sábado (1º), o Caprichoso abre a apresentação com o subtema “Resistência: a força da nossa existência”. O intuito e apresentar o boi como uma brincadeira popular que resistiu aos tempos e chega aos 110 anos, com a mesma força e vitalidade, acrescida de mais um compromisso: ladear, junto às gentes amazônicas, a luta por meio da cultura popular.

“Veleiro Cabano do Uaicurapá” é a lenda indígena da segunda noite. Como  figura típica regional o boi traz “Os Quilombolas da Amazônia”, seguido do “Ritual de Iniciação Masculina Munduruku Marupiara” que trará o pajé Erick Beltrão. Para essa noite está reservadoa o “Rito de Resistência Hutukara Yanomami”, uma homenagem ao  líder Yanomami Davi Kopenawa.

Domingo

Para fechar o Festival de Parintins, no domingo (2), será executado o subtema “Revolução: a consagração pelo saber popular”, com o propósito de ecoar um “último brado” e reivindicar os saberes e fazeres das pessoas da Amazônia expressos nas inúmeras manifestações da cultura popular.

A noite do Caprichoso iniciará com a lenda indígena, “Touro Encantado e a Estrela de Ouro”. Após esse ato está prepara um momento coreográfico “Pavú Maraúna”. A apresentação segue para o ritual “Maï Marakã, a música dos deuses” e o encerramento do 56º Festival Folclorica de Parintins.

Márcio Silva/A Crítica

*Acritica.com