— Até agora, até esse momento, não chegou nenhuma ordem, quer da chefia, quer do Judiciário, para desobstruir. O que a gente pede é bom senso, serenidade. Porque a manifestação é legítima. Talvez eu não concorde com o local, mas é legítima, ela expressa a vontade de metade da população brasileira (…) Qualquer manifestação que vier da minha chefia, ou determinação judicial, ou determinação que seja, eu vou chegar aqui com vocês para conversar e dizer: ‘Chegou essa ordem, o que que eu faço da vida? O que vocês me orientam para a gente interagir e encontrar a melhor solução?’ — diz o agente no vídeo.
De acordo com a PRF, foram identificados ao menos 221 pontos de bloqueio em rodovias de 16 estados brasileiros. Nesta segunda-feira à noite, o ministro da Justiça, Anderson Torres, disse ter determinado “todas as ações possíveis para normalização do fluxo nas rodovias”, e que haverá reforço de efetivo nas equipes da Polícia Federal (PF) e da PRF.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, também determinou a “imediata desobstrução de estradas” interditadas de forma ilegal por apoiadores do presidente, e citou possibilidade de prisão do diretor da PRF em caso de descumprimento.
Mais cedo, decisões da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro já haviam determinado a desobstrução das vias impondo multas em caso de descumprimento. Durante o dia, associações como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT) se manifestaram contra os bloqueios.
Além da publicação de Santa Catarina, outros vídeos que circulam nas redes e no WhatsApp mostram momentos de interação entre agentes da PRF e manifestantes pró-Bolsonaro. As postagens têm recebido críticas de internautas que denunciam um suposto apoio dos policiais aos protestos que questionam os resultados das eleições.
Em um deles, um policial é recebido por um grupo de pessoas reunidas junto a caminhões em meio a uma rodovia, mas ao falar com os manifestantes garante não estar ali para impedir o protesto. “A única ordem que nós temos é para estar aqui com vocês, só isso”, diz o homem no vídeo, que cumprimenta um integrante do grupo e rapidamente é respondido com aplausos e gritos de comemoração.
Em outra postagem, o tom de apoio é mais explícito, e o policial menciona diretamente o processo eleitoral. Em meio a um grupo de pessoas já à noite, o agente pede o microfone e afirma que “estamos todos no mesmo barco” e que é necessário esperar uma atitude de Bolsonaro em relação às eleições.
— Nós estamos tudo do mesmo lado, nós estamos junto com vocês. Nós temos que resistir 72 horas para o presidente poder tomar uma atitude, por isso que ele não se manifestou até agora — diz o policial.
Ele pede ainda que os manifestantes “evitem botar fogo” e defende que “não podemos se comparar aos bandidos”. “A paralisação de forma pacífica, de forma sábia, vocês vão ter o apoio das forças militares dessa maneira”, termina o agente.
Procurada, a PRF não respondeu aos questionamentos do GLOBO sobre os vídeos.
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