Amazonas
Agricultora atravessa o rio Negro por remédio para câncer, mas descobre que está em falta em Manaus
A agricultora Eliene Souza Aguiar, 51, está há dois meses com o tratamento contra o câncer de colo de útero interrompido, devido a falta do medicamento Bevacizumabe em Manaus. Eliene é moradora da comunidade Purupuru, no Careiro da Várzea, e precisa fazer um trajeto bastante árduo para sair do município até a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), na capital, em busca do remédio.
De acordo com a sobrinha de Eliene, Rafaele Queiroz, a paciente que realiza tratamento desde 2019, já realizou quatro viagens até a fundação e não obteve sucesso.

A paciente mora em uma comunidade localizada no Careiro da Várzea (Foto: Arquivo Pessoal)
Conforme Rafaele, o setor de farmácia informou que o medicamento está em falta desde agosto, mas que a fundação já fez a solicitação e está no aguardo do abastecimento.
“Ela tá sem tomar as quatro doses que segundo o Cecon não tem. Fala que é pra ficar ligando. E, das raras vezes que ela conseguiu ligar, pois no interior não tem acesso a linha telefônica, eles dizem que não tem a medicação”, comentou Queiroz.

O medicamento Bevacizumab é fundamental para que a paciente volte a realizar seu tratamento contra o câncer (Foto: Reprodução/Internet)
Sem respostas
A reportagem da A CRÍTICA, ligou para o número informado – (92) 3655-4600 – e constatou que realmente o medicamento está em falta. Quando questionados sobre a reposição, o setor não pode nos afirmar quando o medicamento chegará na fundação.
“Essa medicação é muito importante no tratamento para o câncer de colo de útero. E isso deixa a gente muito aflito porque já tivemos uma perca familiar por esse mesmo câncer. Ficamos muito apreensivos com essa situação de ausência de medicamento. Não temos assistência do governo ou da prefeitura para fazer o trajeto do Purupuru até o Fcecon. Populares ajudam a minha tia, fazendo o trajeto de graça, mas isso nem sempre acontece”, comentou a sobrinha preocupada.
Ajuda
O preço de uma dose do medicamento custa aproximadamente R$ 9 mil. Este valor, segundo a sobrinha de Eliene, é bastante alto e com o rendimento de agricultura familiar é praticamente impossível conseguir.
A família fez uma vaquinha virutal para tentar arrecadar o valor para conseguir comprar pelo menos uma dose do medicamento. Os interessados em contribuir com qualquer quantia podem acessar por meio do link: http://www.vakinha.com.br/3247580.
“A família planta muitas coisas, dependem da saúde do solo e da estação do solo também. Maxixe, mandicona, pepino, cará, algumas frutas. Mas, no momento, como ela está adoecida. Ela não tá conseguindo fazer isso. E isso impacta financeiramente no rendimento familiar”, alertou Rafaele.
A reportagem também entrou em contato com a FCecon questionando sobre a falta do medicamento, previsão de reposição no setor farmacêutico
Em nota, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) informa que houve a anulação da patente do medicamento bevacizumabe, o que acabou afetando seu fornecimento.
A questão foi sanada, o medicamento foi adquirido pela FCecon, já se encontra na instituição e estará disponível a partir de segunda-feira (31/10). Todos os pacientes que fazem uso de bevacizumabe serão contactados pela Fundação.
A FCecon destaca que, em nenhum momento, houve ausência de assistência aos pacientes e os mesmos seguiram realizando o tratamento de quimioterapia com outras medicações.
https://youtu.be/l2C-ssWZO80?t=3
*Acritica.com
