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	<title>R$ 213 bilhões - Portal NDC</title>
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		<title>Congresso deu aval para governo executar R$ 213 bilhões fora do teto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação - Portal NDC]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Aug 2022 14:13:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[Nunca se falou tanto em teto de gastos. A norma limita o crescimento das despesas públicas. Mais de cinco anos após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 95 pelo Congresso Nacional, parlamentares deram aval para que o governo Bolsonaro executasse R$ 213 bilhões fora do orçamento. O montante foi analisado pela Instituição Fiscal Independente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="notic-1849684354" class="notic-antes-do-conteudo notic-entity-placement"><a href="https://chat.whatsapp.com/IQDtvJQbzmEGWEW0qqNL0p" aria-label="banner"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://noticiasdascomunidades.com.br/wp-content/uploads/2024/08/banner.webp" alt=""  width="728" height="112"   /></a></div><p>Nunca se falou tanto em <a href="https://www.metropoles.com/tag/teto-de-gastos" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">teto de gastos</a>. A norma limita o crescimento das despesas públicas. Mais de cinco anos após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 95 pelo <a href="https://www.metropoles.com/tag/congresso-nacional" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Congresso Nacional</a>, parlamentares deram aval para que o governo Bolsonaro executasse R$ 213 bilhões fora do orçamento.</p>
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<div id="google_ads_iframe_/123935210/economia-quadrado-1_0__container__">O montante foi analisado pela <a href="https://www12.senado.leg.br/ifi" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Instituição Fiscal Independente (IFI)</a>, vinculada ao Senado Federal. Desde 2019, o presidente <a href="https://www.metropoles.com/tag/jair-bolsonaro" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Jair Bolsonaro</a> (PL) articulou ao menos cinco emendas constitucionais para gastar além do que a norma do teto prevê.</div>
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<div class="m-subtitle-carousel">O teto de gastos foi criado no governo de <a href="https://www.metropoles.com/tag/michel-temer" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Michel Temer</a> (MDB), quando o país passava por recessão marcada pela crise fiscal. Gastava mais do que arrecadava e acumulava sucessão de déficits primários.</div>
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<p>Na época, o argumento usado era o de que a regra orçamentária iria controlar os gastos públicos. Quando aprovada, a emenda estabeleceu que as despesas da União só poderiam crescer o equivalente ao gasto do ano anterior, sendo este corrigido pela inflação.</p>
<p>Na última semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o governo desrespeitou o teto, mas argumentou que a medida foi adotada para socorrer os “mais frágeis” por meio do pagamento de auxílios durante a pandemia de coronavírus e a guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo. Segundo ele, a violação ocorreu com “responsabilidade fiscal”.</p>
<div class="embed-twitter">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true">
<p lang="pt" dir="ltr">“Sim, nós violamos o teto”, diz Paulo Guedes durante evento da XP Investimentos</p>
<p>Ministro da Economia justificou gasto acima do limite de gastos por se tratar da distribuição de auxílios. “Eu estou fazendo o governo crescer? Não”. <a href="https://t.co/ZGKQXxfKcK" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">pic.twitter.com/ZGKQXxfKcK</a></p>
<p>&mdash; Metrópoles (@Metropoles) <a href="https://twitter.com/Metropoles/status/1554940246659416065?ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">August 3, 2022</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></div>
</p>
<p>A aprovação da PEC dos Auxílios, no mês passado, foi a medida mais recente a abrir caminho para o desembolso de R$ 41,2 bilhões em benefícios sociais em pleno ano eleitoral. Esses recursos têm impacto direto nas contas públicas e estão fora do teto.</p>
<p>A proposta turbinou o Auxílio Brasil, e o programa social foi de R$ 400 para R$ 600. Além disso, a PEC criou um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos, um auxílio para taxistas, e ampliou o valor do vale-gás. Essas e outras medidas valerão até dezembro deste ano.</p>
<h4>Qual a finalidade do teto de gastos?</h4>
<p>Criado no último governo, o teto de gastos busca assegurar que as despesas obrigatórias não cresçam em proporção superior à variação da inflação.</p>
<p>“Contudo, as despesas, compostas em sua maioria por salários e benefícios previdenciários, tendem a comprimir os valores disponíveis para a execução dos demais gastos de custeio da máquina pública e de investimentos em infraestrutura”, explica o professor de gestão corporativa e contabilidade Max Bianchi Godoy, do UniCeub.</p>
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<div id="google_ads_iframe_/123935210/brasil-quadrado-4_0__container__">“Uma vez que as despesas obrigatórias costumam representar mais de 90% dos gastos públicos e têm destinação definida pela Legislação – tais como: previdência, salários de servidores, assistência social e educação –, a utilização do teto pode reduzir o volume das despesas discricionárias [despesas escolhidas pelo governo]”, continua Godoy.</div>
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<p>Essas despesas discricionárias são, sobretudo, direcionadas aos investimentos públicos, como obras de infraestrutura. “Elas poderiam trazer mais empregos e uma consequente melhoria para a economia, que ainda vivencia os efeitos da pandemia”, completa.</p>
<h4>Governo, Congresso e oposição</h4>
<p>Para a economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o teto de gastos públicos “perdeu credibilidade” ao longo dos anos.</p>
<p>“Há um discurso liberal que não se confirma na prática. É um discurso de fachada em defesa do teto, e o Congresso e a oposição são coniventes com isso”, pontua a especialista.</p>
<p>Carla Beni também critica a defesa pelo fim da métrica fiscal. Recentemente, o ex-presidente e candidato ao Palácio do Planalto pelo PT, <a href="http://metropoles.com/tag/lula" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Luiz Inácio Lula da Silva</a>, defendeu que, uma vez eleito, acabaria com a medida.</p>
<p>“Não que você não possa ter outra métrica ou outra âncora fiscal. Agora, a economia vive de expectativa, e o mercado todo quer saber de projeção para médio e longo prazos. Quando há candidatos dizendo que mudarão a regra de teto de gastos e não colocam qual seria a nova métrica, temos um grande problema”, frisa.</p>
<p>De acordo com a economista, não é questão de ser contra ou a favor do teto. “É para além disso. Se você não o quer, qual a outra âncora cambial que vai ser colocada? Não colocar nada abre possibilidade para, novamente, se ampliar os déficits públicos. Não existe ficar em aberto ‘quanto eu irei gastar&#8217;”, aponta.</p>
<p>“Se gasto de uma forma descontrolada, ou desvalorizo a minha moeda, ou tenho que aumentar carga tributária, aumentar dívida pública, é sempre um efeito colateral muito grande”, destaca a especialista.</p>
<p><strong>Abaixo, confira as medidas patrocinadas pelo governo e aprovadas pelo Congresso para driblar o teto de gastos:</strong></p>
<h4>PEC da cessão onerosa</h4>
<p>As alterações feitas na regra do teto de gastos desde 2019 foram viabilizadas por meio de PECs aprovadas e promulgadas pelo Congresso. O Palácio do Planalto articulou todas as propostas a fim de receber o aval dos parlamentares.</p>
<p>A primeira mudança na norma que limita o crescimento das despesas públicas ocorreu ainda no primeiro ano do governo Bolsonaro, em setembro de 2019. Na oportunidade, deputados e senadores aprovaram a PEC que tratava da chamada cessão onerosa – que dá direito de contrato na captação de recursos por meio da exploração de seus recursos minerais e naturais.</p>
<p>O texto, que estabeleceu a divisão dos recursos provenientes de leilões do petróleo com estados e municípios, liberou a execução de mais de R$ 46,1 bilhões fora do orçamento.</p>
<p><strong>O que mudou?</strong></p>
<p>Antes da PEC, a prática da cessão onerosa era considerada um gasto do governo e, por isso, estava prevista no orçamento da União, ou seja, dentro do teto de gastos.</p>
<h4>PEC Emergencial</h4>
<p>Quando a pandemia de coronavírus completou um ano desde a sua decretação, em março do ano passado, o Parlamento aprovou a PEC Emergencial, cujo principal objetivo era disponibilizar mais uma rodada do Auxílio Emergencial – criado para socorrer trabalhadores informais que foram atingidos pela crise sanitária.</p>
<p>A PEC Emergencial permitiu que o governo gastasse mais de R$ 40 bilhões fora do teto de gastos.</p>
<p><strong>O que mudou?</strong></p>
<p>Na época em que a PEC ainda estava sendo discutida pelos parlamentares, o governo argumentou que o texto criaria mecanismos em caso de descumprimento do teto de gastos, entre eles:</p>
<ul>
<li>a suspensão da progressão e promoção funcional de servidores públicos;</li>
<li>a suspensão da criação de despesas obrigatórias e de benefícios tributários; e</li>
<li>a vedação de correção dos valores das verbas indenizatórias, como auxílio-moradia e diárias, por exemplo.</li>
</ul>
<p>Ao defender a medida, o Ministério da Economia alegava que a aplicação desses gatilhos geraria recursos para investimentos federais, promovendo a manutenção da máquina pública.</p>
<h4>PEC dos Precatórios</h4>
<p>Em dezembro do ano passado, por meio da PEC dos Precatórios, o Congresso Nacional permitiu que fossem feitas duas alterações na regra do teto de gastos <em>(veja em detalhes mais abaixo)</em>. A proposta, que gerou impacto de mais de R$ 80 bilhões, foi a principal aposta do governo para viabilizar o Auxílio Brasil, programa social que substituiu o Bolsa Família.</p>
<p><strong>O que mudou?</strong></p>
<p>O texto adiou o pagamento de precatórios (dívidas judiciais do governo com condenações definitivas) e fez com que os recursos pagos pela União fossem limitados ao ano e ocorressem fora do teto.</p>
<p>A segunda mudança refere-se ao prazo de correção do teto. Antes, o cálculo era feito com base na inflação registrada nos últimos 12 meses até junho do ano anterior. A PEC alterou a norma para que o período de correção do teto fosse de janeiro a dezembro.</p>
<p>Foto: Igo Estrela</p>
<p>Fonte: Metrópoles</p>
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