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	<title>ONG em Maceió - Portal NDC</title>
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		<title>Sem carne, famílias disputam osso e pele de frango doados por ONG em Maceió</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação - Portal NDC]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jul 2022 14:23:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[ONG em Maceió]]></category>
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					<description><![CDATA[Glaydiane Ferreira, 35, foi uma das primeiras a chegar, na quinta-feira passada, ao Instituto Amigos da Periferia, uma ONG no conjunto Jorge Quintella, bairro do Benedito Bentes, em Maceió. Assim como outras famílias, ela está cadastrada na instituição e recebe semanalmente doações de ossos de boi e peles de frango, vindas de açougues do mercado [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="notic-3696070213" class="notic-antes-do-conteudo notic-entity-placement"><a href="https://chat.whatsapp.com/IQDtvJQbzmEGWEW0qqNL0p" aria-label="banner"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://noticiasdascomunidades.com.br/wp-content/uploads/2024/08/banner.webp" alt=""  width="728" height="112"   /></a></div>
<p>Glaydiane Ferreira, 35, foi uma das primeiras a chegar, na quinta-feira passada, ao Instituto Amigos da Periferia, uma ONG no conjunto Jorge Quintella, bairro do Benedito Bentes, em Maceió.</p>
<p>Assim como outras famílias, ela está cadastrada na instituição e recebe semanalmente doações de ossos de boi e peles de frango, vindas de açougues do mercado público da capital alagoana.</p>
<p>Ela vive apenas da renda do Auxílio Brasil e do programa Cria, do governo estadual. Dá cerca de R$ 550, ao todo. Glaydiane mora com o marido e mais três filhos e não se lembra de quando conseguiu comprar carne para cozinhar para a família.</p>
<p>&#8220;Hoje é tudo mais difícil. Com esse governo, a gente tem de comer osso e pele doado ou passa fome mesmo. No passado, a gente comia carne, mas hoje não tem como comprar, com os preços em que estão&#8221;, diz Glaydiane Ferreira, 35. Ela conta que usa a ossada para dar corpo à sopa ou ao feijão do dia a dia. Já a pele serve de proteína para alimentação.</p>
<p>Ela conta que usa a ossada para dar corpo à sopa ou ao feijão do dia a dia. Já a pele serve de proteína para alimentação.</p>
<p>Erick dos Santos, 19, também foi à ONG pegar os alimentos doados. Ele mora com a avó e o marido dela. Vai ao instituto para buscar as doações para sua casa e a de uma tia que mora ao lado. &#8220;Isso aqui dura uma semana, são poucas pessoas&#8221;, diz ele, mostrando duas sacolas cheias de ossos e peles.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3375" src="https://quetudiz.com.br/wp-content/uploads/2022/07/glaydiane-ferreira-35-mora-com-marido-e-mais-tres-filhos-e-colhe-melhores-peles-de-frango-doada-por-ong-em-maceio-1657221426780_v2_750x421.jpg" alt="" width="750" height="421" /></p>
<h6>Glaydiane Ferreira, 35, mora com marido e mais três filhos e colhe melhores peles de frango doadas    Imagem: Carlos Madeiro/UOL</h6>
<h3>Tem sido assim desde a pandemia</h3>
<p>Vânia Gato é a atual secretária e foi quem fundou o instituto, há três anos. Ela conta que as doações de ossos e pele começaram em 2020, logo após a chegada da pandemia no país. Foi quando ela percebeu que as famílias da comunidade estavam com mais dificuldades financeiras.</p>
<p>&#8220;Vimos que precisávamos ajudar mais, por isso fomos atrás desse material, para dar alguma condição de alimento a muitas famílias&#8221;, diz.</p>
<p>O instituto tem 22 voluntários e atende cerca de 350 famílias do Benedito Bentes, em especial do conjunto Jorge Quintella, onde fica a associação.</p>
<p>Ela diz que se acostumou a ver o número de pedidos de socorro explodir nos últimos meses, com o agravamento da fome.</p>
<p>O material é arrecadado no mercado público de Maceió, onde açougues doam ossadas e peles que seriam descartadas ou vendidas por preços baixos no local. &#8220;Vamos lá sempre e contamos com essa ajuda. Tem uns [açougues] que dão, outros negam. Mas sempre voltamos com algo para doar&#8221;, diz.</p>
<p>Não há dia certo para as doações. Quando chegam os alimentos, ela avisa às famílias. Elas rapidamente chegam à sede da entidade e levam os produtos em sacolas de plástico.</p>
<p>No dia em que a coluna visitou o local, cerca de 50 kg de ossadas e pele foram doados em pouco mais de meia hora. Segundo Vânia, cada leva de doação alcança atender 20 famílias.</p>
<p>Além de ossos e peles de frango, ela diz que também pede no mercado a doação de verduras, que servem para fazer a sopa preparada quinzenalmente.</p>
<p>Antes a sopa era semanal, mas hoje em dia não dá. Com o preço do gás, não dá para ser de sete em sete dias.&#8221;</p>
<h6>Vânia Gato, fundadora da ONG.</h6>
<p>Na comunidade, o botijão de 13 kg de gás de cozinha não custa menos do que R$ 99.</p>
<p>Apesar de ajudar tantas famílias, a entidade não recebe nenhuma ajuda do poder público e conta apenas com a doação da prefeitura comunitária do bairro do Benedito Bentes.</p>
<p>&#8220;Eles doam leite, que a gente distribui aqui para as famílias. No mais, vivemos de doações e ajuda das pessoas, sem nada do poder público&#8221;, afirma.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3376" src="https://quetudiz.com.br/wp-content/uploads/2022/07/mulher-escolhe-pedacos-de-peles-de-frango-doada-por-ong-em-maceio-1657220900856_v2_750x421.jpg" alt="" width="750" height="421" /></p>
<h6>Mulher escolhe pedaços de peles de frango doada por ONG em Maceió  Imagem: Carlos Madeiro/UOL</h6>
<h3>Pouco dinheiro, muitos gastos</h3>
<p>Na comunidade, poucas pessoas têm emprego formal. A maioria depende de programas sociais dos governos e do auxílio de entidades, como a do Instituto Amigos da Periferia. Sem isso, dizem que estariam na miséria completa.</p>
<p>Silvana Amaral, 51, mora com o filho e o marido e recebe R$ 400 de Auxílio Brasil, mas diz que, com o valor, custeia as despesas de casa, sem sobrar dinheiro para comprar alguma proteína.</p>
<p>&#8220;Estou aqui pegando essa ajuda há um ano e meio porque as coisas estão muito difíceis. Comer carne é uma raridade tão grande que nem lembro quando foi a última vez. Para comprar mesmo, só ovo&#8221;, diz.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3377" src="https://quetudiz.com.br/wp-content/uploads/2022/07/silvana-amaral-51-mora-com-o-filho-e-o-marido-e-recebeu-ossos-e-pele-para-alimentacao-de-ong-em-maceio-1657221037344_v2_750x421.jpg" alt="" width="750" height="421" /></p>
<h6>Silvana Amaral, 51, mora com o filho e o marido e recebe ossos e pele para alimentação  Imagem: Carlos Madeiro/UOL</h6>
<p>Maria Marlene dos Santos, 50, é beneficiária e voluntária da ONG. Ela faz a sopa que é doada às famílias quinzenalmente.</p>
<p>Como ela teve paralisia infantil (poliomielite), perdeu os movimentos das pernas e hoje se locomove com ajuda de uma cadeira de rodas.</p>
<p>Mora com seis cachorros e outros gatos. Alguns deles a acompanha na ida até a ONG e ficam de olho na carne.</p>
<p>Mesmo tendo direito a um salário mínimo (hoje R$ 1.212) mensal do governo federal, precisa das doações para passar o mês e ter uma alimentação com proteína.</p>
<p>&#8220;Recebo um salário do LOAS [Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência], mas não dá. Eu gasto muito com remédios, a conta de energia, de água, o gás, a feira e comida para os meus animais&#8230; Não sobra nada, porque está tudo muito caro&#8221;, diz.</p>
<p>Carne não conseguiria nunca comprar, por isso venho sempre aqui pegar aqui as doações.&#8221;</p>
<h6>Maria Marlene dos Santos, 50</h6>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3378" src="https://quetudiz.com.br/wp-content/uploads/2022/07/maria-marlene-dos-santos-50-teve-poliomielite-e-pega-doacoes-em-ong-de-maceio-1657220832499_v2_750x421.jpg" alt="" width="750" height="421" /></p>
<h6>Maria Marlene dos Santos, 50, leva alguns de seus cães para pegar doações em ONG Imagem: Carlos Madeiro/UOL</h6>
<h3>Pobreza e miséria explodem no país</h3>
<p>Ao longo dos últimos meses, diferentes pesquisas têm revelado que a pobreza e a fome alcançaram patamares inéditos para o país no século.</p>
<p>Segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, feito pela Rede Penssan e divulgado no começo de junho, 33,1 milhões de brasileiros vivem em situação de fome no país.</p>
<p>Já segundo o relatório &#8220;O Estado de Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo&#8221;, lançado na quarta-feira passada pela ONU (Organização das Nações Unidas), a fome aumentou no Brasil: de 37,5 milhões de pessoas para 61,3 milhões entre 2019 e 2021.</p>
<p>Em Alagoas, onde está a ONG que distribui ossos e pele, existem 500,2 mil famílias inscritas em maio no Cadastro Único em extrema pobreza (ou seja, com renda per capita de até R$ 105).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3379" src="https://quetudiz.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ossos-doados-por-ong-de-maceio-a-familias-pobres-1657221104079_v2_750x421.jpg" alt="" width="750" height="421" /></p>
<h6>Ossos doados por ONG de Maceió Imagem: Carlos Madeiro/UOL</h6>
<p>O representante da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) no Brasil, Rafael Zavala, afirma que o país deixou de priorizar o combate à fome em nível nacional nos últimos anos, levando a uma &#8220;cifra assustadora&#8221; de insegurança alimentar em todo o seu território.</p>
<p>No país, o número de famílias em extrema pobreza chegou ao maior patamar da história do Cadastro Único, superando o total de beneficiários inscritas no Auxílio Brasil (programa que substituiu o Bolsa Família).</p>
<h3>Como ajudar</h3>
<p>Quem quiser ajudar pode acessar o Instagram do instituto e participar da próxima campanha: https://www.instagram.com/p/CfjYCorrYtk/?igshid=YmMyMTA2M2Y=</p>
<p>Imagem: Carlos Madeiro/UOL</p>
<p>Leia mais na UOL</p>
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