<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Floresta Amazônica - Portal NDC</title>
	<atom:link href="https://noticiasdascomunidades.com.br/palavras-chaves/floresta-amazonica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://noticiasdascomunidades.com.br</link>
	<description>Sempre em Cima da Notícia</description>
	<lastBuildDate>Mon, 13 Jan 2025 14:06:59 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.3</generator>

<image>
	<url>https://noticiasdascomunidades.com.br/wp-content/uploads/2022/07/cropped-favicon-v2-1-32x32.png</url>
	<title>Floresta Amazônica - Portal NDC</title>
	<link>https://noticiasdascomunidades.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">181767135</site>	<item>
		<title>Tecnologias monitoram biodiversidade, árvores e ar da Amazônia</title>
		<link>https://noticiasdascomunidades.com.br/tecnologias-monitoram-biodiversidade-arvores-e-ar-da-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jan 2025 14:06:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Em Defesa da Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Floresta Amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://noticiasdascomunidades.com.br/?p=49035</guid>

					<description><![CDATA[Monitoramento contínuo ajuda a avaliar se há sinais de alerta O canto dos pássaros. A vibração que a onça-pintada emite ao caminhar pela mata. A comunicação entre os pirarucus na profundeza dos rios. No interior da Amazônia, sons da floresta funcionam como uma orquestra harmônica. Mesmo ouvidos destreinados conseguem perceber...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Monitoramento contínuo ajuda a avaliar se há sinais de alerta</p>
<p>O canto dos pássaros. A vibração que a onça-pintada emite ao caminhar pela mata. A comunicação entre os pirarucus na profundeza dos rios. No interior da Amazônia, sons da floresta funcionam como uma orquestra harmônica. Mesmo ouvidos destreinados conseguem perceber a sinfonia. Mas, se um dos “instrumentos” desafina ou para de tocar, o descompasso também é evidente.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1626512&amp;o=node" /><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1626512&amp;o=node" /></p>
<p>A analogia entre a música e a biodiversidade amazônica é do biólogo carioca Emiliano Ramalho, de 46 anos, que mora há mais de duas décadas na floresta. É a melhor forma que ele encontrou para explicar como o monitoramento contínuo dos animais ajuda a avaliar o funcionamento do ecossistema e se há sinais de alerta.</p>
<div class="dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left">
<div class="dnd-atom-rendered">
<figure style="width: 463px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" title="Marcello Nicolato/Divulgação" src="https://imagens.ebc.com.br/Zpr9BF-5Vpfqdb0n8HGxBkIxvBM=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/01/10/pesquisador_emiliano_ramalho.jpg?itok=-gWj6XAa" alt="Rio de Janeiro (RJ) 10/01/2025 - Personagem - O pesquisador Emiliano Ramalho, especialista em onças-pintadas na Amazônia - Tecnologias monitoram biodiversidade, árvores e ar da Amazônia.
Foto: Marcello Nicolato/Divulgação" width="463" height="309" /><figcaption class="wp-caption-text">O pesquisador Emiliano Ramalho coordena o Projeto Providence, que monitora espécies amazônicas &#8211; Marcello Nicolato/Divulgação</figcaption></figure>
</div>
</div>
<p>Ramalho é diretor técnico-científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na cidade de Tefé, no Amazonas, uma entidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ele coordena desde 2016 o Projeto Providence, que usa sistemas automatizados de som e imagem para estudar as espécies amazônicas. São mais de 40 sensores espalhados pela floresta, que realizam monitoramento em tempo real, 24 horas por dia e sete dias por semana.</p>
<p>“Por meio da tecnologia, conseguimos observar um número de espécies e tipos de comportamentos que seriam impossíveis de monitorar por meios naturais. Então, muda completamente a perspectiva de observação dos bichos. A tecnologia não exclui a necessidade, muitas vezes, de ter o ser humano indo em campo, mas ela se torna um tipo de sétimo sentido nosso”, diz o biólogo.</p>
<p>Emiliano Ramalho já trabalhou especificamente com a contagem de pirarucus, no início da carreira, e depois se tornou um dos maiores especialistas em ecologia e biologia de onças-pintadas, principalmente em ambientes de várzea. Em um cenário que sofre inundações durante três a quatro meses por ano, o felino se adapta e passa a viver no topo das árvores. O comportamento foi registrado cientificamente pela primeira vez pelo pesquisador.</p>
<div class="dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right">
<div class="dnd-atom-rendered">
<figure style="width: 463px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" title="Emiliano Ramalho/Divulgação" src="https://imagens.ebc.com.br/qMV708EkuLO-bejLHQaXPFEKAYg=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/01/10/cientistas_do_instituto_mamiraua_investigam_comportamentos_das_oncas_na_amazonia_foto_emiliano_ramalho.jpg?itok=HF432X1G" alt="Rio de Janeiro (RJ) 10/01/2025 - 
Cientistas do instituto mamiraua investigam comportamentos das onças na Amazônia -Tecnologias monitoram biodiversidade, árvores e ar da Amazônia.
Foto: Emiliano Ramalho/Divulgação" width="463" height="309" /><figcaption class="wp-caption-text">Cientistas do Instituto Mamirauá investigam comportamentos das onças-pintadas na Amazônia  &#8211; Emiliano Ramalho/Divulgação</figcaption></figure>
</div>
</div>
<p>O biólogo costuma dizer que a “onça-pintada é fundamental para a conservação da floresta e a floresta é essencial para a sobrevivência da onça-pintada”. Nesse sentido, o equilíbrio social e natural passa, necessariamente, por estratégias de conservação da biodiversidade amazônica. É esse trabalho, aperfeiçoado pelos instrumentos tecnológicos, que move Ramalho a acreditar em um futuro melhor.</p>
<blockquote>
<p>“Para trabalhar na Amazônia, você precisa ter esperança. Sou otimista, porque a nossa geração e a próxima ainda vão ter chance de mudar o cenário de crise. Mas hoje a situação é muito crítica, porque não temos de fato mais zona de amortecimento. Se não mudar o paradigma de como deve ser o desenvolvimento da floresta, a gente vai perder a Amazônia”, analisa o biólogo.</p>
</blockquote>
<h2>Ecologia digital</h2>
<p>Uma outra forma de entender as dinâmicas climáticas da Amazônia é olhar para árvores e vegetações. Esse tem sido o caminho percorrido pelo cientista paulista Thiago Sanna Freire Silva, ecologista digital, como gosta de se intitular, que leciona informática ambiental na Universidade de Stirling, na Escócia, e coordena projetos de monitoramento de florestas inundáveis.</p>
<p>O foco principal do cientista está em entender como mudanças na hidrologia, no nível da água durante secas e cheias, afeta o ecossistema, principalmente em um cenário em que esses fenômenos se tornaram mais extremos. Para ter uma visão analítica mais ampla, ele escaneia extensões grandes da floresta com a tecnologia <em>light detection and ranging</em> (Lidar), um sensor capaz de emitir <em>lasers</em>, mapear e gerar cenários em 3D.</p>
<p>“Partimos das seguintes reflexões: se a gente começar a ter secas muito intensas sempre, isso poderia ser uma coisa boa para as árvores. Porque, quando elas estão inundadas, geralmente param de crescer. Ao mesmo tempo, por causa do aumento de temperatura e da redução de precipitação, durante a época de seca pode também faltar quantidade adequada de água para elas. E as árvores vão ficar estressadas e ainda mais vulneráveis do que em florestas de terra firme”, diz Silva.</p>
<div class="dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left">
<div class="dnd-atom-rendered">
<figure style="width: 463px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" title="Tânia Rêgo/Agência Brasil" src="https://imagens.ebc.com.br/fj065SIkI0skOSnkO0w5F4GBNoc=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/01/10/_rbr9890.jpg?itok=X6Bfzvv7" alt="Manaus (AM), 30/11/2024 - Thiago Silva, ecólogo digital, explorador da National Geographic e professor sênior da Universidade de Stirling, na Escócia, fala durante a TEDx Amazônia, no Salão Rio Solimões. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil" width="463" height="309" /><figcaption class="wp-caption-text">Ecologista digital, Thiago Silva dá aulas de informática ambiental na Universidade de Stirling, na Escócia &#8211; Tânia Rêgo/Agência Brasil</figcaption></figure>
</div>
</div>
<p>O cientista explica que a análise ajuda a entender os padrões em níveis macroestruturais, a partir de grandes escalas e padrões de funcionamento da floresta. E que os resultados são aprimorados ao dialogarem com os estudos em nível micro e local. Diante do ritmo acelerado de impactos e prejuízos ao ecossistema, é preciso pensar primeiro em adaptações, antes de vislumbrar regenerações ambientais.</p>
<p>“Um dos grandes problemas dessas grandes crises climáticas é que a gente não tem como frear, pela velocidade e o tamanho delas. Só o que a gente pode fazer é se adaptar, entender melhor o que está acontecendo e conseguir prever com antecedência como essas mudanças vão se acumular ao longo das décadas. Assim, podemos pensar em estratégias melhores de como preservar essas florestas e ajudar as pessoas que dependem desses ambientes”, projeta Silva.</p>
<p>Ao rastrear a saúde das zonas úmidas durante anos, o cientista distingue as áreas que precisam ser protegidas antes que os danos se tornem irreversíveis. Enquanto há estudo, há esperança.</p>
<p>“Qualquer cientista que trabalha com ecologia e mudanças climáticas vive uma montanha-russa de sentimentos. Em alguns momentos, você fica completamente pessimista. Em outros, tem uma explosão de otimismo. O mais importante é que a gente tem buscado engajamento com as comunidades locais, as pessoas que têm maior capacidade de realmente proteger e fazer diferença. E que às vezes podem até não perceber o poder que elas têm”, diz o pesquisador.</p>
<h2>Floresta estressada</h2>
<p>No caso da cientista Luciana Gatti, os sinais do desmatamento e da crise climática são percebidos no ar. Ela é química e coordena o Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desde 2003, atua em pesquisas na área de mudanças climáticas, com foco no papel da Amazônia na emissão e absorção de carbono.</p>
<div class="dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right">
<div class="dnd-atom-rendered">
<figure style="width: 365px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" title="Luciana Gatti/Arquivo Pessoal" src="https://imagens.ebc.com.br/rlE4EdEw-M9Xg1GjfSaOXXlFmy8=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/01/10/pesquisadora_luciana_gatti.jpg?itok=4Cw7tuQS" alt="Rio de Janeiro (RJ) 10/01/2025 - Personagem - Pesquisadora Luciana Gatti -Tecnologias monitoram biodiversidade, árvores e ar da Amazônia.
Foto: Luciana Gatti/Arquivo Pessoal" width="365" height="486" /><figcaption class="wp-caption-text">Cientista Luciana Gatti coordena o Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Inpe &#8211; Luciana Gatti/Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
</div>
</div>
<p>A medição das emissões de gases do efeito estufa começou em 2004, na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará. A partir de 2010, conseguiram expandir os trabalhos para outras localidades da Amazônia. Aviões de pequeno sobrevoam pontos específicos da floresta, onde amostras de ar são coletadas e armazenadas em frascos, para posterior análise em laboratório.</p>
<p>Com isso, poderia ser calculado se a floresta estava se comportando como fonte ou sumidouro de carbono. Ou seja, se ela mantinha a capacidade de absorver mais gases do efeito estuda do que eram emitidos.</p>
<p>“A primeira constatação foi a de que uma região da Amazônia é muito diferente da outra. A maior parte dos cientistas usa um número ou uma taxa e aplica para o bioma inteiro. Vimos que, quanto mais desmatada a floresta, mais a região tinha perdido volume de chuva e aumentado a temperatura ao longo de 40 anos. E isso acontecia principalmente durante a estação seca, especificamente entre os meses de agosto a outubro, no período da seca. Desmatamento não é só perda de carbono e emissão de gás estufa. É também mudança da condição climática para a floresta que ainda não foi desmatada”, explica Luciana.</p>
<p>Em outras palavras, a floresta que está sendo modificada pelo desmatamento ao redor vive em uma situação de “estresse”.</p>
<p>“Estamos matando a floresta de duas maneiras diferente: direta e indiretamente. A árvore não consegue fazer fotossíntese, porque está tão seco embaixo da terra que ela precisa fechar o ‘estômago’ para não perder água e continuar vivendo. E isso explica porque árvores das regiões mais desmatadas emitem sete vezes mais carbono do que as das regiões menos desmatadas”, diz Luciana.</p>
<div class="dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left">
<div class="dnd-atom-rendered">
<figure style="width: 463px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" title="Luciana Gatti/Divulgação" src="https://imagens.ebc.com.br/neFyZn96E-gpV-T_-DfgYr3Y3X4=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/01/10/malas_de_amostragem_da_coleta_de_carbono_na_amazonia_luciana_gatti_divulgacao.jpg?itok=uMvu6RYd" alt="Rio de Janeiro (RJ) 10/01/2025 - Malas de amostragem da coleta de carbono na amazônia  -Tecnologias monitoram biodiversidade, árvores e ar da Amazônia.
Foto:Luciana Gatti/Divulgação" width="463" height="347" /><figcaption class="wp-caption-text">Malas de amostragem da coleta de carbono na Amazônia &#8211; Luciana Gatti/Divulgação</figcaption></figure>
</div>
</div>
<p>Em um cenário ideal, o balanço de carbono da Floresta Amazônica deveria ser neutro, com equilíbrio entre emissões e absorções. Mas, com o desmatamento, a própria floresta passa a ser fonte de carbono e perde a capacidade de regular o clima. Segundo a cientista, não há outra solução a não ser interromper a destruição e priorizar projetos de restauração florestal.</p>
<p>“Nós precisamos de um plano de sobrevivência para restaurar as áreas perdidas da Amazônia. Eu tenho uma sugestão: vamos colocar como meta reduzir o rebanho bovino brasileiro em 44%, já que é a principal causa de emissão de gases estufa e a maior parte do desmatamento vira pasto&#8221;, defende Luciana. “Nosso plano de sobrevivência é plantar árvore. É ela que vai abaixar a temperatura, nos proteger das ondas de calor, dos eventos extremos. Quem disse que destruir a floresta é progresso é ignorante. A salvação dos brasileiros passa por salvar a Amazônia. Sejamos todos ativistas”, defende a pesquisadora.</p>
<h2>Série sobre a Amazônia</h2>
<p>A reportagem faz parte da série Em Defesa da Amazônia, que abre o ano da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém, em novembro deste ano. Nas matérias publicadas na <strong>Agência Brasil</strong>, povos da Amazônia e aqueles diretamente engajados na defesa da floresta discutem os impactos das mudanças climáticas e respostas para lidar com elas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Fonte: Agência Brasil</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">49035</post-id>	</item>
		<item>
		<title>&#8216;Se BR-319 for asfaltada, vai vir mais gente de fora&#8217;: o que pensa quem vive à beira da rodovia na Amazônia sobre a polêmica obra</title>
		<link>https://noticiasdascomunidades.com.br/se-br-319-for-asfaltada-vai-vir-mais-gente-de-fora-o-que-pensa-quem-vive-a-beira-da-rodovia-na-amazonia-sobre-a-polemica-obra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[editor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Nov 2024 15:17:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[BR-319]]></category>
		<category><![CDATA[Floresta Amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[rodovia]]></category>
		<category><![CDATA[Rodovia Fantasma]]></category>
		<category><![CDATA[rodovia na Amazônia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://noticiasdascomunidades.com.br/?p=46896</guid>

					<description><![CDATA[Ninguém mais parece lembrar por que a Rodovia Fantasma ganhou este apelido. Talvez seja devido aos longos trechos desolados no seu trajeto de 900 km através da Floresta Amazônica, sem um povoado ou até mesmo uma viva alma à vista. Ou talvez os &#8220;fantasmas&#8221; sejam as carcaças queimadas dos caminhões...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ninguém mais parece lembrar por que a Rodovia Fantasma ganhou este apelido.<br /><br />Talvez seja devido aos longos trechos desolados no seu trajeto de 900 km através da Floresta Amazônica, sem um povoado ou até mesmo uma viva alma à vista. Ou talvez os &#8220;fantasmas&#8221; sejam as carcaças queimadas dos caminhões tombados e abandonados ao longo da estrada.<br /><br />As péssimas condições da BR-319 deixam a rodovia intransitável na estação das chuvas. Mas os motoristas costumam se aventurar nos meses de verão, enfrentando as enormes crateras e sulcos da empoeirada pista de terra batida.<br /><br />Às vezes, eles têm sorte. Às vezes, não. Por isso, seguro o guidão da moto com força e espero completar minha viagem com sucesso.<br /><br />Apelidada de Rodovia Fantasma, a BR-319 liga Manaus, no Amazonas, à capital de Rondônia, Porto Velho. É a única ligação terrestre entre os mais de dois milhões de habitantes da capital amazonense e o resto do país.<br /><br />Construída nos anos 1970 para facilitar a exploração dos recursos naturais da Amazônia, a obra gerou um fluxo de migrantes pioneiros. Eles foram atraídos de todo o Brasil pelas promessas de oportunidades e terras agrícolas baratas.<br /><br />Comunidades no estilo do Velho Oeste americano logo surgiram ao longo da rodovia. Mas, sem manutenção adequada, grande parte da BR-319 logo se degradou, deixando essas comunidades isoladas e esquecidas.<br /><br />Recentemente, o presidente Lula prometeu a reconstrução da BR-319. Os defensores da rodovia afirmam que ela irá ajudar a integrar os Estados do Amazonas e de Rondônia à economia nacional.<br /><br />Mas seus críticos – alguns deles, no próprio governo Lula – alertam que restaurar a BR-319 irá transformá-la em uma porta de entrada para regiões antes intocadas da Amazônia. A obra irá literalmente pavimentar o caminho rumo ao desmatamento em níveis sem precedentes.<br /><br />Para os viajantes aventureiros, no entanto, a BR-319 tem outro significado.<br /><br />Conhecida como uma das estradas mais emocionantes e desafiadoras da América do Sul, a Rodovia Fantasma convida os amantes de aventura a testar sua coragem em um ambiente florestal extraordinário, mas extenuante.<br /><br />Na estação seca, veículos 4&#215;4 e motocicletas de aventura se juntam aos caminhões na estrada. Eles costumam transportar viajantes intrépidos, que chegam da famosa Rodovia Pan-Americana. Afinal, Porto Velho fica a menos de 300 km da fronteira com a Bolívia.<br /><br />A brava viagem pela floresta termina na atraente e vibrante cidade de Manaus, conhecida pelos visitantes como o portal para ecoaventuras na floresta e expedições pelo rio Amazonas.<br /><br />Poucas pessoas sabem mais sobre dirigir na BR-319 do que Flávio Bressan.<br /><br />Com sua companhia de turismo Cerrado Moto Aventura, com sede em Brasília, Bressan organiza tours de motocicleta no coração da floresta amazônica, ao longo da Rodovia Fantasma.<br /><br />Ele orienta os motociclistas pelo terreno difícil da floresta tropical e conta a importante história de uma região rica e diversificada que, agora, enfrenta uma encruzilhada.<br /><br />Estas viagens também ajudam a mapear novas estradas e pontos de interesse para os futuros visitantes.<br /><br />&#8220;Poucos anos atrás, quase não tínhamos dados sobre as estradas da Amazônia&#8221;, conta Bressan. &#8220;Apenas relatos dramatizados dos viajantes que as percorreram. Mas os trajetos não são tão perigosos quanto acreditam muitos brasileiros.&#8221;<br /><br />Ele me entrega as chaves da motocicleta Royal Enfield Himalayan, que irá me levar para o coração da Amazônia.<br /><br />Para Bressan, a BR-319 &#8220;ainda é um caminho desafiador, mas não é mais adequado chamá-la de Rodovia Fantasma. Você verá que a Amazônia não é tão abandonada e subdesenvolvida como dizem.&#8221;</p>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<h2 id="Partida" class="bbc-1lgzob2 eglt09e0" tabindex="-1">Partida</h2>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Minha viagem de Brasília até Porto Velho me conduz pelas planícies onduladas do vasto interior do Brasil, atravessando infinitas plantações de soja e remotas cidades agrícolas.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Estou viajando sozinho, já que Bressan está conduzindo outro grupo ao longo da rodovia Transamazônica, do litoral do Brasil até o Amazonas. Mas ele ajudou na minha preparação e me alugou uma de suas motos.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">A partir de Porto Velho, os primeiros 300 km em direção ao norte pela BR-319 são tranquilos. A rodovia já foi parcialmente recuperada naquele trecho.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Mas as boas condições terminam em Realidade, distrito de Humaitá, no Amazonas. Ali, o asfalto é substituído pela lama e pela terra bruta.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">O distrito abriga alguns milhares de habitantes. Sua &#8220;realidade&#8221; seria hoje muito diferente se o governo brasileiro tivesse cumprido a promessa de reparar a rodovia que atravessa suas ruas.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Eu me dirijo a uma lanchonete ao lado da rodovia desgastada, onde as pessoas se sentam em cadeiras de plástico na varanda e tomam cerveja gelada em pequenos copos. A música que sai da minúscula caixa de som é abafada pelo som de agitadas conversas.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">No bar, uma mulher se apresenta como Léia, a proprietária. Ela conta que se mudou para Realidade com a família em 2019, quando o então presidente Bolsonaro prometeu <a class="focusIndicatorReducedWidth bbc-n8oauk e1p3sufg0" href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53672214">repavimentar a BR-319</a>.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;Mas nunca aconteceu&#8221;, ela conta. &#8220;Cinco anos depois, ainda estamos esperando.&#8221;</p>
</div>
<figure class="bbc-1qn0xuy">
<div class="bbc-18ywsw9">
<figure style="width: 586px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="bbc-139onq" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/ed5e/live/52fcaf50-a5b5-11ef-8860-8b2612f9752e.jpg.webp" alt="Vista aérea de área desmatada da floresta no entorno da rodovia BR-319, no município de Humaitá, Estado do Amazonas" width="586" height="329" /><figcaption class="wp-caption-text">Crédito,Getty Images Legenda da foto,Vista aérea de área desmatada da floresta no entorno da rodovia BR-319, no município de Humaitá, Estado do Amazonas</figcaption></figure>
</div>
<figcaption class="bbc-15f1ujd" dir="ltr"></figcaption>
</figure>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">A estrada asfaltada e em boas condições traria mais oportunidades para negócios como o de Léia. Ela comprou a lanchonete na BR-319 para atender os motoristas no longo trajeto entre Porto Velho e Manaus.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;No tempo seco, temos um pouco de trânsito, o que é bom para os negócios&#8221;, ela conta. &#8220;Mas, quando as chuvas chegam, não fica ninguém.&#8221;</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">A estação úmida cria ainda mais problemas para a comunidade, como o transbordamento dos esgotos e dificuldades para trazer suprimentos.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Léia soube dos planos do governo para melhorar a rodovia. Mas, depois de tantos alarmes falsos, ela reluta em renovar sua esperança.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;Mas seria bom&#8221;, suspira ela.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<h2 id="As-queimadas" class="bbc-1lgzob2 eglt09e0" tabindex="-1">As queimadas</h2>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Na manhã seguinte, a fumaça paira sobre Realidade.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Esta é uma região de criação de gado e os fazendeiros sempre usaram o fogo para limpar grandes trechos de floresta e abrir pastos. Mas uma seca histórica transformou a Amazônia em um barril de pólvora e os incêndios saíram de controle.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Pego meu celular para filmar um homem com um chapéu de abas largas, queimando um trecho de terra ao lado da rodovia. Seus olhos encontram os meus, mas ele não diz nada.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Ao longo do dia, o sol equatorial queima lentamente o espesso véu de fumaça que cobre a floresta.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Ao meio-dia, a luz atravessa a fumaça em ondas brilhantes, lançando cores sobre as copas das árvores e a folhagem da floresta.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Samambaias gigantes, cobertas da terra marrom-avermelhada da rodovia, marcam a fronteira entre a BR-319 e a infinita floresta indomada. Suas folhas ondulam suavemente com a brisa.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Paro para tirar uma foto da minha moto sobre uma frágil ponte de madeira. Um grasnado rouco revela a presença de duas araras-azuis voando pelo céu azul claro a meia distância.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">De repente, com a mesma velocidade em que se aproximou, a floresta desaparece.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">As imensas árvores que formam a paisagem da floresta parecem se dispersar, formando um grande pasto. E, atrás de uma cerca de madeira, um grupo de animais me observa curioso.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;A terra aqui é barata&#8221;, conta a esposa do fazendeiro, Rosaline. Ela e o marido se mudaram de Rondônia para cá em janeiro.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Eles preferem não usar o fogo para cuidar da pastagem, mas isso não impediu que sua terra também queimasse.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;O vento traz o fogo para os nossos limites&#8221;, ela conta. &#8220;Agora, o fogo foi embora, mas a fumaça irá ficar até que cheguem as chuvas.&#8221;</p>
</div>
<figure class="bbc-1qn0xuy">
<div class="bbc-18ywsw9">
<figure style="width: 778px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="bbc-139onq" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/dfa0/live/88db6d00-a5b5-11ef-8860-8b2612f9752e.jpg.webp" alt="Trecho da BR-319" width="778" height="438" /><figcaption class="wp-caption-text">Crédito,Getty Images Legenda da foto,Muitos grupos indígenas poderiam ser diretamente ameaçados pela recuperação da BR-319, se a estrada trouxer grileiros e aumentar o desmatamento</figcaption></figure>
</div>
<figcaption class="bbc-15f1ujd" dir="ltr"></figcaption>
</figure>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<h2 id="Os-povos-originários" class="bbc-1lgzob2 eglt09e0" tabindex="-1">Os povos originários</h2>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Ambientalistas receiam que a pavimentação da BR-319 traga <a class="focusIndicatorReducedWidth bbc-n8oauk e1p3sufg0" href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58020855">grileiros</a>, atraídos pelo fácil acesso às áreas não exploradas da Amazônia. Com isso, eles poderão abrir estradas de acesso para operações ilegais de mineração e extração de madeira.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Em pouco tempo, eles serão seguidos por fazendeiros, que irão comprar a terra barata para criar gado e plantar soja.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Calcula-se que este processo possa aumentar o desmatamento em cinco vezes, eliminando uma área de floresta maior do que o Uruguai.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Os cientistas chamam este fenômeno de efeito espinha de peixe. Ou seja, a BR-319 age como a coluna vertebral do peixe e as inevitáveis estradas de acesso ilegais são suas espinhas.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">O desmatamento e o crescimento da agropecuária ao longo das espinhas do peixe provavelmente irão gerar mais queimadas, o que é uma má notícia para todos na Floresta Amazônica e fora dela. E também pode trazer resultados desastrosos para os povos originários da floresta.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Mais de 300 grupos indígenas brasileiros moram na Amazônia. Muitos deles poderão ser diretamente ameaçados pela restauração da Rodovia Fantasma, se ela for acompanhada de grileiros e aumentar o desmatamento.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">A aldeia de Daiane Tenharim foi construída em terras que pertenceram ao seu povo – os indígenas Tenharim/Marmelos – por incontáveis gerações.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Hoje, ela está ligada à BR-319 por outra imensa rodovia que corta a floresta, a Transamazônica. As estradas trouxeram inúmeros problemas para Tenharim.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Servindo um refrescante copo de suco de açaí, ela explica que os idosos da aldeia sofrem problemas respiratórios relacionados à fumaça das queimadas. Mas esta é apenas a ponta do iceberg.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;Estamos lutando há anos para expulsar os invasores do nosso território&#8221;, ela conta. &#8220;Esta terra deveria ser protegida, mas o governo demora muito para responder às nossas denúncias.&#8221;</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Às vezes, esta situação pode gerar conflitos. Comunidades indígenas como a de Tenharim recebem ameaças dos grileiros.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;Se a BR-319 for asfaltada, mais pessoas virão de outros Estados. Quem irá nos proteger?&#8221;, pergunta Tenharim.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">&#8220;Sempre dissemos que não somos contra o asfalto, desde que as decisões não sejam tomadas sem consultar as pessoas que já moram aqui. E isso inclui os indígenas.&#8221;</p>
</div>
<figure class="bbc-1qn0xuy">
<div class="bbc-18ywsw9">
<figure style="width: 727px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="bbc-139onq" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/aa48/live/a6fbacf0-a5b5-11ef-8860-8b2612f9752e.jpg.webp" alt="Trecho da BR-319 " width="727" height="409" /><figcaption class="wp-caption-text">Crédito,Getty Images Legenda da foto,Para se aventurar na BR-319, é preciso um veículo capaz de transitar por vias acidentadas</figcaption></figure>
</div>
<figcaption class="bbc-15f1ujd" dir="ltr"></figcaption>
</figure>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">O chamado &#8220;trecho do meio&#8221; da BR-319, no Estado do Amazonas, é o mais desafiador. São 400 km de chacoalhar os ossos, com sulcos profundos na pista, espalhando areia sobre a terra batida.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Aqui, as fazendas são poucas. Existe apenas a densa floresta que ameaça engolir o que sobrou da rodovia.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Cada solavanco na estrada é um teste de perícia e resistência. Mas mantenho a disposição, imerso nas emoções da minha expedição pela pista de terra batida, em meio à maior e mais importante floresta do planeta.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Em uma travessia de balsa, converso com um homem na casa dos 50 anos, dirigindo uma valiosa pick-up. Ao lado dele, está seu pai idoso. O destino é Manaus, para sua viagem de pesca anual entre pai e filho, pelos afluentes do Amazonas.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Pergunto por que eles preferem ir de carro até Manaus, em vez de pegar o avião. Quem responde é o pai: &#8220;Qual é a aventura disso?&#8221;</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">No dia seguinte, depois de outra manhã saltando entre os sulcos e rochas da BR-319, minhas rodas finalmente atingem o asfalto. A sensação é que estou flutuando em nuvens.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Um sorriso escapa dos meus lábios, enquanto giro o acelerador e vejo o ponteiro do velocímetro se mover.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">É fácil imaginar como uma rodovia em perfeitas condições, com um piso como este, seria uma tábua de salvação para as comunidades que vivem às suas margens. Mas pavimentar o caminho para o progresso também pode gerar cicatrizes mais profundas em uma floresta já ameaçada.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Uma coisa é certa: dirigir pela BR-319 será sempre uma exuberante aventura pela floresta.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<h2 id="Planejando-a-viagem" class="bbc-1lgzob2 eglt09e0" tabindex="-1">Planejando a viagem</h2>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">É recomendado um veículo 4&#215;4 ou uma motocicleta de aventura para enfrentar a BR-319.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">A estação seca vai de junho a setembro e é a época do ano mais segura para a viagem. A rodovia fica intransitável durante a estação das chuvas.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">A Cerrado Moto Aventura oferece diversas viagens em grupo todos os anos, partindo de Brasília. Ela também aluga motos e oferece apoio logístico para os viajantes individuais.</p>
</div>
<div class="bbc-19j92fr ebmt73l0" dir="ltr">
<p class="bbc-hhl7in e17g058b0" dir="ltr">Inclua no seu roteiro uma parada no trecho do meio, passando a noite na pequena cidade junto à balsa do rio Igapó-Açu, no Amazonas.</p>
</div>
<p dir="ltr"> </p>
<p dir="ltr"> </p>
<p dir="ltr">Fonte: <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqlr7z655kzo">BBC</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">46896</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
