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	<title>exploração econômica - Portal NDC</title>
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	<title>exploração econômica - Portal NDC</title>
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		<title>Fogo na Amazônia é etapa da exploração econômica do bioma</title>
		<link>https://noticiasdascomunidades.com.br/fogo-na-amazonia-e-etapa-da-exploracao-economica-do-bioma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação - Portal NDC]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Sep 2024 14:57:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[exploração econômica]]></category>
		<category><![CDATA[fogo]]></category>
		<category><![CDATA[Incêndio]]></category>
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					<description><![CDATA[Para professor da UFPA, fogo é resultado da apropriação ilegal Os incêndios que consomem o bioma amazônico são uma das etapas da exploração econômica da floresta, que vem sendo convocada pela economia mundial para fornecer alimentos e matérias-primas baratas, permitindo a manutenção do preço dos salários nos países mais desenvolvidos e o aumento do lucro [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="notic-2445833915" class="notic-antes-do-conteudo notic-entity-placement"><a href="https://chat.whatsapp.com/IQDtvJQbzmEGWEW0qqNL0p" aria-label="banner"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://noticiasdascomunidades.com.br/wp-content/uploads/2024/08/banner.webp" alt=""  width="728" height="112"   /></a></div>
<p>Para professor da UFPA, fogo é resultado da apropriação ilegal</p>
<p>Os incêndios que consomem o bioma amazônico são uma das etapas da exploração econômica da floresta, que vem sendo convocada pela economia mundial para fornecer alimentos e matérias-primas baratas, permitindo a manutenção do preço dos salários nos países mais desenvolvidos e o aumento do lucro em escala global. Essa é a avaliação do professor de economia Gilberto de Souza Marques, da Universidade Federal do Pará (UFPA).<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1612667&amp;o=node" /><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1612667&amp;o=node" /></p>
<p>Autor do livro <em>Amazônia: riqueza, degradação e saque</em>, o especialista destaca que a agropecuária, a mineração e o setor madeireiro são as principais atividades que contribuem para o desmatamento da Amazônia e que a grilagem de terra alimenta essa exploração econômica.</p>
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<div style="width: 764px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="flex-fill img-cover" title="Gilberto de Souza Marques/Arquivo Pessoal" src="https://imagens.ebc.com.br/mGc_mur2VTwnYsXOI8d-167vucM=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/09/18/gilberto_de_souza_marques1.jpg?itok=LCfWEO6T" alt="Brasília (DF) 18/09/2024 - Professor de economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilberto de Souza Marques, autor do livro “Amazônia: riqueza, degradação e saque”
Foto: Gilberto de Souza Marques/Arquivo Pessoal" width="754" height="559" /><p class="wp-caption-text">Brasília &#8211; O professor de economia da Universidade Federal do Pará, Gilberto de Souza Marques, autor do livro Amazônia: riqueza, degradação e saque &#8211; Foto:Gilberto de Souza Marques/Arquivo Pessoal</p></div>
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<p>Marques questiona o modelo econômico imposto ao bioma, argumentando que nem tudo que gera muito lucro é o melhor para o conjunto da sociedade brasileira. Além disso, afirma que a Amazônia já está internacionalizada porque as grandes multinacionais da mineração e do agronegócio são as que controlam a economia dominante na região.</p>
<p>Para o especialista em economia política, natureza e desenvolvimento, as experiências dos povos indígenas e comunidades tradicionais são as sementes de esperança que devem ser regadas para se contrapor à monocultura na região amazônica.</p>
<p>Confira a entrevista completa:</p>
<p><strong>Agência Brasil</strong>: Qual a relação da destruição da Amazônia com a exploração econômica do bioma?</p>
<p><strong>Gilberto Marques</strong>: A Amazônia tem duas grandes tarefas no mundo que são incompatíveis. A primeira é contribuir para aumentar a rentabilidade do capital nas economias centrais, com o rebaixamento dos custos de produção. Isso significa produzir matérias-primas baratas de exportação para a China e para a Europa, como o ferro, a soja e outros produtos.</p>
<p>Ao produzir alimentos baratos, a Amazônia diminui a pressão para elevação salarial nesses países e contribui para elevar as taxas de lucro em meio a uma economia global que vive sucessivas crises de rentabilidade do capital.</p>
<p>A segunda tarefa da Amazônia é contribuir para reduzir os efeitos do aquecimento global, em particular a emissão de gases de efeito estufa. Na atualidade, essas duas tarefas são incompatíveis porque a primeira tarefa impõe um ritmo de apropriação da natureza como nunca visto nos 13 mil anos de existência humana na Amazônia.</p>
<p>Esse ritmo ditado pela busca do lucro faz com que a natureza tenha dificuldade de se recompor, pois são atividades extremamente degradantes para a natureza.</p>
<p><strong>Agência Brasil</strong>: Quais as principais atividades que contribuem para degradar a Amazônia?</p>
<p><strong>Gilberto</strong>: Principalmente a mineração e o agronegócio associados à exploração madeireira. E a característica mais gritante na Amazônia é que o legal se alimenta do ilegal e o ilegal do legal.</p>
<p>O setor pecuarista, que se apropria de terras públicas e que utiliza muitas vezes o trabalho escravo, continua, de alguma forma, vendendo o seu gado para as grandes cadeias da comercialização dos grandes frigoríficos, direta ou indiretamente.</p>
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<div style="width: 764px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="flex-fill img-cover" title="Marcelo Camargo/Agência Brasil" src="https://imagens.ebc.com.br/zOCdpw0pkeMfwQhSz6F9frfPeRI=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/floresta_amazonica211016ebc0667.jpg?itok=ubONuGz_" alt="floresta Amazônica" width="754" height="502" /><p class="wp-caption-text">floresta Amazônica &#8211; Marcelo Camargo/Agência Brasil</p></div>
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<p>Indiretamente porque eles maquiam esse gado [de áreas griladas] e os frigoríficos sabem disso. O gado que não pode ser vendido para Europa, por exemplo, porque tem regras mais rígidas, segue para o Nordeste ou o Sudeste, abastecendo esses mercados regionais e permitindo que os rebanhos criados nessas regiões possam ser exportados sem prejuízo do consumo local. Direta ou indiretamente, o gado amazônico, mesmo criado em áreas ilegais, entra nas grandes cadeias de proteína animal do planeta.</p>
<p>Em 2021, o principal produto exportado pelo município de São Paulo foi o ouro, com aproximadamente 27% de tudo que o município exportou. De onde vem esse ouro que entra nos grandes circuitos legais da financeirização da economia? Esse ouro sai, em grande medida, dos circuitos ilegais que estão destruindo a Amazônia.</p>
<p>A mineração destrói intensivamente a floresta, o solo e subsolo, mas ela ocorre em espaço menor, ainda que tenha uma extensão além da mina, como é o caso da contaminação dos rios. Já a agropecuária usa extensas áreas e o uso de agrotóxicos mata os insetos que polinizam a floresta.</p>
<p>Além disso, a plantação de soja retira cobertura vegetal, aumentando a temperatura em torno do campo de plantio e os riscos de incêndios. Essas atividades estimulam a apropriação ilegal da terra na Amazônia.</p>
<p><strong>Agência Brasil</strong>: Como ocorre essa apropriação ilegal da terra da Amazônia?</p>
<p><strong>Gilberto</strong>: O grileiro se apropria de uma terra pública, de uma área de preservação ou de território indígena, e derruba a floresta de imediato. Em seguida, vende para um segundo proprietário que sabe que a terra é ilegal pelo próprio preço de venda, que é rebaixado.</p>
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<div style="width: 764px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="flex-fill img-cover" title="Divulgação TV Brasil" src="https://imagens.ebc.com.br/sr2rFresMfVDOTaEnHMGEYByh70=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/floresta_amazonica_vista_de_cima.jpg?itok=GTxHEPHU" alt="Floresta amazônica vista de cima." width="754" height="424" /><p class="wp-caption-text">Floresta amazônica vista de cima. &#8211; Divulgação TV Brasil</p></div>
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<p>Depois de comprar, o segundo dono entra com o pedido de regularização fundiária dessa terra, argumentando que a comprou de boa-fé, acreditando que era uma terra legalizada.</p>
<p>Esse argumento da boa-fé serviu para regularizar propriedades griladas desde os governos da ditadura empresarial militar, com o argumento de que isso geraria segurança jurídica e impediria a grilagem de terra. Na realidade, isso estimula a grilagem na região amazônica.</p>
<p><strong>Agência Brasil</strong>: Por que existe o risco de a soja avançar ainda mais no bioma amazônico?</p>
<p><strong>Gilberto</strong>: Por que o custo de transporte é elemento determinante hoje na soja. Do município de Sorriso (MT) até o Porto de Paranaguá, no Paraná, são 2,2 mil km. Depois de embarcada nos navios, ela sobe toda a costa brasileira.</p>
<p>Quando essa soja é produzida aqui na Amazônia, próximo à linha do Equador, ou com conexão com os rios, o custo de transporte cai bastante ou chega a quase zero. É o caso da soja que está sendo produzida no Amapá, a 70 quilômetros do porto.</p>
<p>Ou seja, há uma redução de custo brutal nesse processo e a redução eleva a rentabilidade da atividade, permitindo que o produto chegue barato aos mercados centrais.</p>
<p>Fora isso, quando, por meio da Lei Kandir, o governo deixa de cobrar o ICMS sobre essa exportação, o produto pode ser vendido por um preço abaixo de seu valor, sem que a empresa perca nada. Mas o Estado deixou de arrecadar o que lhe caberia. Há, então, uma transferência de valor do Brasil para as economias centrais. Vendemos mercadorias e recebemos menos do que elas efetivamente valem.</p>
<p><strong>Agência Brasil</strong>: Os incêndios na Amazônia têm relação com a exploração econômica?</p>
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<div style="width: 764px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="flex-fill img-cover" title="REUTERS / Bruno Kelly" src="https://imagens.ebc.com.br/kRvSAI-9qQ_HBMtWODg4m5sDy6o=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2019-08-21t165535z_1942945837_rc15f10d89c0_rtrmadp_3_brazil-politics.jpg?itok=OsZDamS7" alt="Um homem trabalha em um trecho de queimada da floresta amazônica, como está sendo desmatada por madeireiros e agricultores em Iranduba, Amazonas, Brasil, 20 de agosto de 2019. REUTERS / Bruno Kelly / " width="754" height="473" /><p class="wp-caption-text">Homem trabalha em trecho de queimada da floresta amazônica, desmatada por madeireiros e agricultores em Iranduba _ Foto Reuters/ Bruno Kelly </p></div>
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<p><strong>Gilberto</strong>: O fogo é resultado desse processo de apropriação ilegal da terra e é uma etapa da exploração econômica. Durante o primeiro semestre do ano, que é o período de mais chuva, se faz a derrubada da floresta para a retirada das madeiras.</p>
<p>Quando começa o verão amazônico, que ocorre entre o final de junho até setembro principalmente, se toca muito fogo na floresta para queimar o que se derrubou no primeiro semestre, mas não se aproveitou para a atividade madeireira. Então, se forma o pasto.</p>
<p>Além disso, 80% das propriedades da floresta são reservas legais que não podem ser desmatadas. O proprietário então toca fogo na floresta e diz que aquilo foi um incêndio não produzido por ele. Como deixou se ser floresta, ele vai utilizar a área para o aumento do pasto, para o plantio de soja ou outra atividade do agronegócio.</p>
<p>Quando você pega a distribuição do fogo, você vê que a concentração está exatamente nos municípios em que mais avança o agronegócio. Como é o caso de São Félix Xingu (PA), que tem o maior reganho bovino do Brasil.</p>
<p>Porém, o que estamos vendo hoje, neste início de setembro, é um descontrole porque alguns dados de monitoramento apontam que até um terço do fogo sobre a Amazônia está ocorrendo em floresta em pé, diferentemente do padrão típico que é o fogo sobre floresta que foi derrubada no primeiro semestre.</p>
<p><strong>Agência Brasil</strong>: O senhor diz que a Amazônia está internacionalizada no mercado global. Como é isso?</p>
<p><strong>Gilberto</strong>: A Amazônia está internacionalizada porque os grandes ramos da produção do agronegócio e da mineração estão controlados pelas grandes empresas multinacionais em escala internacional.</p>
<p>As duas maiores plantas de alumina e alumínio do planeta estão no Pará e são controladas por uma empresa transnacional, que é a Hydro, de capital principalmente norueguês. O principal acionista é o governo da Noruega, que é também o principal doador do Fundo Amazônia.</p>
<p>A Vale do Rio Doce anunciou que a maior parcela do seu capital total é negociada em circuitos estrangeiros, ou seja, não está nas mãos de brasileiros. Se pegarmos o comércio de grãos, principalmente soja, quem comercializa e controla esse comércio na Amazônia são as grandes transnacionais do agronegócio como Cargill, Bunge, ADM [Human, Pet and Animal Nutrition Company] e LDC [Louis Dreyfus Company].</p>
<p><strong>Agência Brasil</strong>: Qual a exploração econômica sustentável alternativa que pode beneficiar o povo brasileiro?</p>
<p><strong>Gilberto</strong>: Nosso desafio é entender que não necessariamente o que dá grande lucro é algo que beneficia o conjunto da população ou que seja necessariamente o melhor para o país e para a região.</p>
<p>Precisamos problematizar essa noção de desenvolvimento como simples expansão da economia. Historicamente, isso foi utilizado no Brasil para justificar determinadas políticas, mas o resultado foi exclusão social e o enriquecimento de uma pequena minoria.</p>
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<div style="width: 764px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="flex-fill img-cover" title="Polícia Federal" src="https://imagens.ebc.com.br/7zGP1pOJzvBgmry1lx-R7KatCaQ=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/operacao_oke_aro_2701214146.jpg?itok=VmCNMDvx" alt="Boa Vista/RR – A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje, 27/01, a operação Okê Arô*, para combater o desmatamento ilegal em uma área de quase 5.000 hectares de floresta amazônica." width="754" height="566" /><p class="wp-caption-text">Boa Vista – Polícia Federal deflagra Operação Okê Arô* para combater desmatamento ilegal na floresta amazônica. &#8211; PF/divulgação</p></div>
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<p>Nesse sentido, temos experiências em curso na região amazônica que são ainda muito incipientes, mas muito ricas. A produção agroecológica, com as agroflorestas, é uma delas. Outras experiências são as atividades comunitárias, como a pesca do Mapará, no Rio Tocantins, onde as pessoas se juntam para pescar e o resultado é distribuído entre todos, inclusive entre aqueles que não puderam pescar.</p>
<p>Tem ainda a rica experiência do povo indígena Ka’apor, do Maranhão, que tem criado áreas de proteção quando identifica a entrada de madeireiros e outros invasores. Eles constroem comunidades nas rotas dos invasores, barrando a entrada deles. Já criaram 12 áreas de proteção, permitindo a recomposição da floresta.</p>
<p>Temos que ajudar a disseminar essas experiências de integração sociedade-natureza em oposição à monocultura na Amazônia. A gente tem que olhar a Amazônia com esperança, porque ela ainda é a maior concentração de matéria viva do planeta.</p>
<p>Ela captura dióxido de carbono e cumpre papel vital para a existência da humanidade. O planeta vai continuar existindo, o que está em questão é a continuidade da humanidade. Nesse sentido, a Amazônia é a esperança para o planeta. E os povos que vivem na Amazônia, por meio de suas experiências, são sementes de esperança que temos que ajudar a brotar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fonte: Agência Brasil</p>
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